Evento tem inscrições gratuitas e ocorre nos dias 5 e 6 de novembro com a presença de Ailton Krenak, Maui Hudson, Haidy Geismar, Joshua Bell e Francy Baniwa
Quais os desafios éticos, técnicos, curatoriais e jurídicos surgidos a partir da produção de registros digitais que envolvem conhecimentos culturais e linguísticos dos povos indígenas? Essa pergunta norteará os debates do Seminário Internacional Futuros Digitais Indígenas: Soberania, Cuidado e Curadoria Compartilhada, que vai acontecer nos dias 5 e 6 de novembro no Auditório do Museu da Língua Portuguesa. O evento terá a participação de pesquisadores internacionais, incluindo os neozelandeses Maui Hudson e Jessica Lai, o pesquisador indígena canadense Gerry Lawson, além de Haidy Geismar e Paula Granados García, ambas baseadas no Reino Unido, e a norte-americana Rosanna Dent. Entre os brasileiros, a liderança e pensador Ailton Krenak e a antropóloga Francy Baniwa são alguns dos convidados. Localizado na Estação da Luz, o Museu é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de Paulo.
Tendo como elemento central as especificidades indígenas, as discussões abordarão temas como propriedade intelectual, governança e circulação de dados, documentação de conhecimentos intangíveis, curadorias colaborativas e retorno digital de coleções. Além disso, vão destacar iniciativas de repositórios digitais construídos em colaboração com os povos originários.
Entre elas estão o EMKP (Endangered Material Knowledge Programme/ Programa de Conhecimentos Materiais em Perigo), coordenado pelo Museu Britânico, voltado à documentação e salvaguarda de conhecimentos materiais ameaçados em diferentes partes do mundo, e as iniciativas desenvolvidas no âmbito do Prodocult (Programa de Documentação de Culturas Indígenas) do Museu Nacional dos Povos Indígenas, resultado da cooperação entre a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
O evento conta com a parceria do British Council, no âmbito do Ano Cultural Brasil–Reino Unido 2025–2026, e é uma atividade do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Antônio Kanajó, iniciativa do Museu da Língua Portuguesa, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O seminário, integrante da Temporada 2026 do Museu da Língua Portuguesa, será aberto ao público, com acesso gratuito, mediante inscrição on-line (clique aqui). Haverá tradução simultânea em Libras e em português-inglês-português, e emissão de certificado de participação.
Intelectuais de importantes instituições estrangeiras estarão no seminário. Entre eles, o pesquisador maori Maui Hudson (Universidade de Waikato), especialista em propriedade intelectual indígena e governança de dados; e a antropóloga Haidy Geismar (Universidade College London e UCL School for the Creative and Cultural Industries), especializada em propriedade cultural e intelectual, sistemas de conhecimento indígena, museologia crítica e antropologia digital.
Também estão confirmados o antropólogo Joshua Bell (Museu Nacional de História Natural da Smithsonian Institution – presença remota), que trabalha na interface entre museus, arquivos e comunidades indígenas; e a professora de direito Jessica Lai (Victoria Universidade de Wellington), especialista em propriedade intelectual, com foco em direito de patente e proteção do Mātauranga Māori.
Gerry Lawson (Museu de Antropologia da Universidade da Colúmbia Britânica), Susan Kung (Arquivo de Línguas Indígenas da América Latina/AILLA – Universidade do Texas em Austin), Paula Granados García (Programa de Conhecimento Material em Perigo do Museu Britânico) e Rosanna Dent (Universidade de Cambridge) também vão integrar o seminário compartilhando experiências sobre repositórios on-line voltados aos conhecimentos e línguas indígenas ao redor do mundo.
Paulo Cipassé Xavante, pesquisador e gestor do repositório digital Rowasu’u, Felipe de Lucena, chefe do Serviço de Estudos e Pesquisas do Museu Nacional dos Povos Indígenas (Funai), e Thiago Lopes da Costa Oliveira, antropólogo, documentarista e curador especializado em arte, coleções e sistemas de conhecimentos indígenas, são os outros convidados brasileiros.
A atriz e pesquisadora Lilly Baniwa será a mestre de cerimônias tanto no dia 5 quanto no dia 6 de novembro. No encerramento do evento, ela irá realizar uma performance artística na Praça da Língua do Museu da Língua Portuguesa.
Confira abaixo a programação completa.
Dia 5 de novembro (quinta-feira)
Credenciamento
8h30
Abertura
9h30
Primeiros Diálogos
Uma conversa sobre as interseções entre propriedade cultural e intelectual, regimes de conhecimento indígena e acervos digitais nos dias de hoje.
Com Haidy Geismar (Universidade College London) e Francy Baniwa (Museu de Arqueologia e Etnologia da USP). Mediação de Maria Luísa Lucas.
10h30 às 12h30
Painel 1 – Governança de dados, curadorias colaborativas e retorno digital
Um encontro para repensar a relação entre museus, comunidades e acervos a partir da governança indígena dos dados no mundo digital, da curadoria compartilhada e de novas formas de retorno de coleções. A partir de experiências internacionais de documentação e gestão, serão debatidos as possibilidades e os desafios na construção de ecossistemas digitais indígenas mais centrados na ética do cuidado e da colaboração.
Com Joshua Bell (Museu Nacional de História Natural/Smithsonian – presença remota), Felipe de Lucena (Museu Nacional dos Povos Indígenas/FUNAI), Rosanna Dent (Universidade de Cambridge), Paulo Cipassé Xavante (pesquisador do povo A’uwê) e Jessica Lai (Victoria Universidade de Wellington). Mediação de Maria Luísa Lucas.
14h às 17h30
Dia 6 de novembro
Painel 2 – Repositórios digitais e coleções indígenas
Repositórios digitais podem ser espaços de preservação, acesso e circulação de conhecimentos indígenas, mas também exigem novas formas de pensar a gestão, a descrição e o controle das coleções. Experiências internacionais de documentação e gestão de coleções indígenas revelam possibilidades e desafios para construir acervos digitais mais colaborativos e orientados pelas e para as comunidades.
Com Gerry Lawson (Museu de Antropologia da Universidade da Colúmbia Britânica), Susan Kung (Arquivo de Línguas Indígenas da América Latina/AILLA – Universidade do Texas em Austin), Paula Granados García (Programa de Conhecimento Material em Perigo/Museu Britânico) e Thiago Lopes da Costa Oliveira (Hochschule für Musik FRANZ LISZT Weimar). Mediação de Majoí Favero Gongora.
9h às 12h30
Futuros possíveis em diálogo
Quais os futuros digitais que queremos construir? Esse é o ponto de partida para o diálogo entre diferentes perspectivas indígenas a respeito da governança de dados e a reflexão sobre outras formas de relação entre conhecimento, tecnologia e soberania.
Com Maui Hudson (Universidade de Waikato) e Ailton Krenak (ativista, escritor e pensador indígena). Mediação de Vitor Ido.
14h30 às 16h30
Encerramento
Performance artística com a atriz Lilly Baniwa
17h às 18h
Conheça os participantes do Seminário.
Haidy Geismar é professora de antropologia na Universidade College London (UCL) e diretora fundadora da UCL School for the Creative and Cultural Industries. Atua com curadoria e pesquisa no Vanuatu Cultural Centre e em museus na Nova Zelândia, na Europa e na América do Norte.
Francy Baniwa (Hipamaalhe – “Som da Cachoeira”) é antropóloga, professora de Etnologia Brasileira do MAE/USP, curadora e pesquisadora indígena do povo Baniwa, do Alto Rio Negro (AM).
Joshua Bell é Curador de Globalização e Chefe do Departamento de Antropologia do Museu Nacional de História Natural (NMNH) da Smithsonian Institution. É responsável pela gestão de acervos da Oceania e de diversos materiais mantidos nos National Anthropological Archives e nos Human Studies Film Archive.
Felipe de Lucena atua desde 2018 no Museu Nacional dos Povos Indígenas, onde atualmente chefia o Serviço de Estudos e Pesquisas e desenvolve atividades de formação, pesquisa e documentação digital de línguas e culturas indígenas.
Rosanna Dent é professora de História Recente da Ciência, Medicina e Tecnologia na Universidade de Cambridge. Trabalha no Rowasu’u, projeto de arquivo digital voltado para a devolução de documentação histórica e publicações às comunidades indígenas do povo A’uwê (Xavante).
Paulo Cipassé Xavante é liderança do povo Xavante, cacique da aldeia Aldeia Wedera, da Terra Indígena Pimentel Barbosa (MT). É pesquisador e gestor do repositório digital Rowasu’u.
Jessica Lai é professora de Direito Comercial na Te Herenga Waka – Victoria University of Wellington. É especialista em propriedade intelectual (IP), com foco especial em direito de patentes, na proteção do “Mātauranga Māori” e em perspectivas feministas.
Maria Luísa Lucas é antropóloga e professora de Etnologia Brasileira do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, coordenadora da área de Antropologia do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Antônio Kanajó e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP).
Gerry Lawson, Ma̓la̓gius, pertence à Nação Haíɫzaqv e coordena o Laboratório de História Oral e Língua no Museu de Antropologia da Universidade da Colúmbia Britânica (MoA/UBC).
Susan Kung, linguista documentalista e arquivista digital, é coordenadora do Archive of the Indigenous Languages of Latin America (AILLA) da Universidade do Texas em Austin e criadora da plataforma aberta Archiving for the Future: Simple Steps for Archiving Language Documentation Collections.
Paula Granados García é diretora do Endangered Material Knowledge Programme/Programa de Conhecimentos Materiais em Perigo do Museu Britânico. Atua com consultoria e governança em iniciativas internacionais como Collections Trust, o programa InDIGenius e o Linked Pasts Symposium.
Thiago Lopes da Costa Oliveira é antropólogo e coordena o projeto Resocialization of Sound na Hochschule für Musik Franz Liszt Weimar. Coordenou projetos de documentação do patrimônio linguístico e cultural indígena (Prodocult/ Museu Nacional dos Povos Indígenas/ FUNAI; UNESCO).
Majoí Favero Gongora é antropóloga e integrante do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Antônio Kanajó. Atua com pesquisa colaborativa e documentação junto ao povo Ye’kwana, além de colaborar com a curadoria de iniciativas voltadas às línguas e culturas indígenas.
Maui Hudson (Whakatōhea) é professor e diretor do Te Kotahi Research Institute, na Universidade de Waikato. É coautor dos Princípios CARE para a Governança de Dados Indígenas e membro da Global Indigenous Data Alliance.
Ailton Krenak é pensador, escritor e ativista dos direitos indígenas e da preservação ambiental. Pertencente à etnia Krenak, é o primeiro intelectual indígena a se tornar imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) e da Academia Mineira de Letras (AML).
Vitor Ido é professor de Direito Comercial da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador responsável pela área jurídica do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Antônio Kanajó e coordenador do Laboratório de Direitos Intelectuais e Conhecimentos Tradicionais da Faculdade de Direito da USP.
Lilly Baniwa é atriz, performer e artista-pesquisadora do povo Baniwa, com graduação em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
SERVIÇO
Seminário Internacional Futuros Digitais Indígenas: Soberania, Cuidado e Curadoria Compartilhada
Dias 5 (quinta-feira) e 6 de novembro (sexta-feira), das 9h às 18h
Inscrições gratuitas pelo Sympla (clique aqui) – sujeito à lotação do auditório
Com tradução em Libras e em português-inglês-português
Haverá emissão de certificado de participação
No Auditório do Museu da Língua Portuguesa
