Instituição se despede da exposição Luz da Língua, recebe seminário sobre acervos digitais indígenas e é opção de passeio também para quem estiver em São Paulo nos três feriados do mês
Em novembro, o Museu da Língua Portuguesa se despede da exposição Luz da Língua, que celebra os 20 anos de sua criação. Além disso, realiza um seminário internacional com pesquisadores indígenas e não indígenas de cinco países sobre a construção de acervos digitais de povos originários. Localizado na histórica Estação da Luz, no centro da capital paulista, o Museu é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo
Com três feriados no mês, o Museu é uma excelente dica de passeio também para quem estiver passeando na capital paulista durante o dia de Finados (2 de novembro), da Proclamação da República (15 de novembro) e da Consciência Negra (21 de novembro). O Museu funciona de terça a domingo, das 9h às 18h, com entrada permitida até as 16h30. Os ingressos custam R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia-entrada) – às terças e aos domingos, é grátis. No dia 5 de novembro (quinta-feira), Dia Nacional da Cultura, a Petrobras, patrocinadora máster do Museu, oferecerá entrada gratuita para todos os públicos.
Mostra temporária Luz da Língua
Com curadoria de Isa Grinspum Ferraz, a exposição Luz da Língua fica em cartaz até 8 de novembro. A mostra apresenta uma linha do tempo que narra a trajetória de duas décadas do Museu da Língua Portuguesa, revelando as ideias iniciais para a criação de uma instituição dedicada a um patrimônio imaterial como a língua. Em um dos espaços, o público é convidado a participar de oficinas artísticas, como de escrita de cartas ou de criação de cadernos e zines a partir de materiais recicláveis.
Um dos destaques é uma obra criada por Leandro Lima a partir do acervo do próprio Museu com depoimentos de pesquisadores e escritores sobre a língua portuguesa. Entre eles estão José Miguel Wisnik, Valter Hugo Mãe e Davi Kopenawa. No vídeo, é possível assistir ainda a performances de artistas como Chico Buarque, Xênia França e Legião Urbana.
Seminário internacional
Nos dias 5 e 6 de novembro, o Museu recebe o Seminário Internacional Futuros Digitais Indígenas: Soberania, Cuidado e Curadoria Compartilhada. O evento terá a participação de pesquisadores indígenas e não indígenas de cinco países. Entre eles, os neozelandeses Maui Hudson e Jessica Lai, o canadense Gerry Lawson e a norte-americana Rosanna Dent. Entre os brasileiros, a liderança e pensador Ailton Krenak e a antropóloga Francy Baniwa são alguns dos convidados.
Tendo como elemento central as especificidades indígenas, as discussões abordarão temas como propriedade intelectual, governança e circulação de dados, documentação de conhecimentos intangíveis, curadorias colaborativas e retorno digital de coleções. Também vão destacar iniciativas de repositórios digitais construídos em colaboração com os povos originários.
As inscrições já estão esgotadas. Mas, nos dois dias do evento, haverá uma lista de espera para cada mesa, que será organizada no Pátio A, 30 minutos antes do início da atividade – os lugares disponíveis serão liberados 10 minutos após o início de cada mesa. Haverá tradução simultânea em Libras e em português-inglês-português, e emissão de certificado de participação. A programação completa pode ser consultada no site do Museu (clique aqui).
O evento conta com a parceria do British Council, no âmbito do Ano Cultural Brasil–Reino Unido 2025–2026, e é uma atividade do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Antônio Kanajó, iniciativa do Museu da Língua Portuguesa, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Consciência Negra
O Núcleo Educativo prepara uma série de atividades gratuitas relacionadas ao Mês da Consciência Negra, incluindo mediação de leitura e visita ao prédio da Estação da Luz.
No dia 18 (quarta-feira), às 11h30, os educadores e educadoras ocupam o Pátio B do Museu com a ação Saberes Negros, que apresenta a quem passa pelo espaço as produções literárias de autoras e autores negros presentes na exposição principal do Museu. Entre eles, Machado de Assis, Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus.
Já nos dias 21 (sábado), às 15h, e 22 (domingo), às 11h, ocorre a visita mediada Presenças Negras na Construção da Cidade de São Paulo. Ao levar os visitantes a diferentes espaços da sede do Museu, o Núcleo Educativo explica a colaboração de profissionais negros no desenvolvimento da capital paulista, em especial no bairro da Luz. Os grupos para este passeio são formados 15 minutos antes de seu início, no Pátio A, perto da bilheteria – limite de até 20 pessoas.
Outra dica é explorar o Acervo Digital do Museu (clique aqui), que reúne toda a produção da instituição produzida nos últimos 20 anos. Por lá, por exemplo, há informações sobre a mostra temporária Línguas Africanas que Fazem o Brasil. Com curadoria do músico e filósofo Tiganá Santana, destacou a influência das línguas bantu, iorubá e eve-fon no português falado no Brasil. A exposição ficou em cartaz entre maio de 2024 e fevereiro de 2025.
Plataforma Conexões
O grupo teatral em Trânsito apresenta a performance DESCAMINHOS – se você me vê, não sou eu no dia 14 de novembro (sábado), das 12h às 13h, no Saguão Central da Estação da Luz. O espetáculo fala sobre como pessoas periféricas, LGBT e não-brancas lutam pelo direito de existir no espaço urbano por meio de uma linguagem onírica e festiva. Os protagonistas da peça são figuras mascaradas que vestem roupas cheias de brilho.
Gratuita, a atração integra o projeto Plataforma Conexões, que, em 2026, selecionou trabalhos com o tema Culturas Urbanas, englobando, também, os ritmos musicais da cidade e sua diversidade cultural.
Virada Sustentável
O Museu participa da Virada Sustentável 2026 com a visita especial gratuita ao prédio da Estação da Luz intitulada Presenças Indígenas no Guaré e Região da Luz, nos dias 7 (sábado) e 8 (domingo), às 11h. Nesta ação, o Núcleo Educativo apresenta as mudanças históricas e sociais dos bairros do Bom Retiro e Campos Elíseos, chamando a atenção para a presença de povos indígenas na região. Os grupos são formados 15 minutos antes do início do passeio, no Pátio A, perto da bilheteria – limite de até 20 pessoas.
Pop Rua
O livro eletrônico Festival Pop Rua 2025 já está disponível no Acervo Digital do Museu (clique aqui). A publicação registrou a segunda edição do Festival Pop Rua – População em Situação de Rua e o Direito à Cultura, que aconteceu entre os dias 28 e 30 de agosto de 2025 em espaços do Museu, do Sesc Bom Retiro e do Parque da Jardim da Luz.
Textos e fotografias mostram como o evento, misturando arte e oferta de serviços, como corte de cabelo e distribuição de roupas, movimentou o território da Luz, onde o Museu está localizado, atendendo a cerca de 18 mil pessoas. O material está disponível para download.
SERVIÇO
Museu da Língua Portuguesa
Praça da Luz, s/n – Luz – São Paulo
De terça a domingo, das 9h às 16h30 (com permanência até as 18h)
R$ 25 (inteira); R$ 12,50 (meia)
Grátis às terças-feiras e aos domingos
Grátis para crianças até 7 anos
Grátis no dia 5 de novembro – Dia Nacional da Cultura – oferecimento da Petrobras
Acesso pelo Portão A
Venda de ingressos na bilheteria e pela internet
