Português do Brasil

A história de uma língua é, ao fim e ao cabo, a história de seus falantes, daqueles que a herdaram, modificaram e recriaram ao longo do tempo. E se a história das populações é marcada por disputas (de poder, culturais, narrativas), o mesmo acontece com a língua. 

Dizemos que falamos aqui uma língua portuguesa, trazida pela colonização, com influências das línguas indígenas e africanas. Mas o que chegou por aqui também não era um bloco homogêneo e já tinha bastante história para contar. 

Aqui, vamos falar da formação dessa língua que emerge no noroeste da península Ibérica, de onde veio e por onde caminhou.

Para contar a história da língua portuguesa, vamos partir do Império Romano, a maior potência econômica, política e militar de seu tempo, e um dos maiores impérios de toda a História. Em seu apogeu, no século II EC, seus domínios incluíam a Europa, a Ásia Menor e o norte da África, e envolviam todo o Mar Mediterrâneo, chamado pelos romanos de mare nostrum (“nosso mar”). No ano 218 AEC, as legiões romanas invadiram a Península Ibérica durante a guerra contra Cartago, sua poderosa rival norte-africana. A língua dos dominadores – o latim – foi imposta aos povos que habitavam a região, como os lusitanos e os celtas. É desse latim que, séculos mais tarde, nascerá a língua portuguesa.

 

 

Portanto, o português faz parte da família de línguas que se originou do latim (à qual chamamos de família latina ou românica). Ao chegarem ao noroeste da península Ibérica, os exércitos romanos encontraram povos que falavam outras línguas, numa região que chamaram de Gallaecia e que compreende a atual Galiza e o norte de Portugal. Quando a coroa de Castela domina a coroa da Galiza, o epicentro da língua que era falada ali passa a ser mais ao sul, na Lusitânia, onde se consolida como língua da corte e, com a formação do Reino de Portugal, idioma nacional – quando recebe o nome pelo qual a conhecemos hoje. 

Fólio das Cantigas de Santa Maria, de Alfonso X, o sábio (1221-1284). MS B.R.20- CANTIGA STA MARIA Nº351-F74V-TEXTO-ESTROFA EN VERSO GALAICO PORTUGUES- S XIII. Credit: Album / Oronoz
Fólio das Cantigas de Santa Maria, de Alfonso X, o sábio (1221-1284). MS B.R.20- CANTIGA STA MARIA Nº311-F65R-TEXTO-ESTROFA EN VERSO GALAICO PORTUGUES- S XIII. Credit: Album / Oronoz
Fólio das Cantigas de Santa Maria, de Alfonso X, o sábio (1221-1284).MS B.R.20- CANTIGA STA MARIA Nº291-F61V-TEXTO-ESTROFA EN VERSO GALAICO PORTUGUES- S XIII. Credit: Album / Oronoz

 

 

Ao longo desse processo, entre os séculos V e VIII, a região foi tomada pelos suevos e visigodos, povos de origem germânica dos quais herdamos muitos nomes próprios e grande parte da toponímia da região.

Também foi muito importante o período de contato com os povos árabes – que ocuparam parte da Ibéria por cerca de sete séculos – pois, além de grandes contribuições nas ciências, artes e humanidades, lá deixaram marcas linguísticas.

 

 

 

Liber abaci (Livro dos ábacos ou Livro dos Cálculos) de Fibonacci, também conhecido como Leonardo de Pisa, responsável pela introdução do sistema indo-arábico no mundo cristão da Idade Média (ca. 1228).

 

E é essa língua, fruto do contato de variados povos, que se lança ao mar e vai desembarcar em outros continentes. A língua portuguesa já chega carregada de história a outros territórios, territórios esses que também já têm as suas próprias histórias. Como se deu esse contato, suas riquezas e seus conflitos será tema do nosso próximo arco narrativo.

 

 

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