Seminário Dizeres da Rua: Autoria e Direito à Cultura no dia 10 de agosto

Com a presença de profissionais de museus e bibliotecas públicas e artistas como Esmeralda Ortiz e Nego Bala, evento debate a relação entre equipamentos culturais e a população em situação de rua

Qual o papel da cultura na transformação social da população em situação de rua? De que maneira museus, bibliotecas e centros culturais podem ser espaços de segurança e acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilização social? Como equipamentos culturais podem valorizar as experiências individuais dessas pessoas e oferecer ferramentas para que se expressem artisticamente? Essas são algumas das perguntas que inspiram o seminário Dizeres da Rua: Autoria e Direito à Cultura, promovido pelo Museu da Língua Portuguesa em parceria com o Museu das Favelas. O evento acontecerá no dia 10 de agosto (segunda-feira), das 9h às 18h, com performances e mesas de debate no Auditório do Museu da Língua Portuguesa. Localizado no histórico prédio da Estação da Luz, o Museu é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.  

Profissionais da Biblioteca Pública Affonso Taunay, do Museu das Favelas e da Biblioteca Parque do Rio de Janeiro, e artistas como Esmeralda Ortiz, Kric Cruz e Nego Bala são alguns dos convidados da iniciativa. Trata-se de uma ação do Programa Pop Rua, que antecede e prepara o terreno para a terceira edição do Festival Pop Rua, ação que visa promover o acesso à cultura como direito humano, a ser realizada em 2027. 

Voltado para profissionais da cultura, educação e assistência social, agentes literários, membros de movimentos sociais e organizações que atuam com a população em situação de rua, e público em geral, o seminário Dizeres da Rua é gratuito. Para participar, não é necessário reservar ingresso e nem inscrição prévia. Haverá um credenciamento no Pátio A do Museu no dia do evento – sujeito à lotação do Auditório.  

A mesa de abertura, intitulada O livro e a biblioteca como ferramentas de transformação, terá início às 10h, sob comando da educadora social Bel Santos, cogestora da Rede de Bibliotecas Comunitárias LiteraSampa. Ela vai falar sobre a potência de equipamentos culturais que acolhem e reconhecem a população em situação de rua como parte essencial de seu público. 

Em seguida, às 10h30, Santos fará a mediação da mesa A potência das bibliotecas como laboratórios de cidadania ativa. Na conversa, Meire Rose Stankevicius Bassi, coordenadora da Biblioteca Pública Affonso Taunay; Gabiá Santos, bibliotecária do Museu das Favelas; e o cientista social Fabio Moraes, que foi mediador social na Biblioteca Parque do Rio de Janeiro, vão dividir suas experiências em relação à população em situação de rua. Vão comentar, por exemplo, de que forma regras rígidas de instituições, como a proibição de entrada com mochilas grandes, podem excluir quem está na rua. 

Das 11h45 às 12h15, a escritora e cantora Esmeralda Ortiz apresenta um espetáculo musical que mescla ancestralidade e identidade cultural, abordando temas com resistência, memória e transformação social. Ela é autora dos livros Esmeralda – por que não danceiO Diário da Rua, e As Incríveis Histórias do Tio Barbudo. Em 2015, lançou o álbum Guerreira. 

Ao longo de toda manhã, das 9h às 12h, o público poderá conhecer o projeto DePara, uma oficina de escrita de cartas e criação de vínculos criada pelo Museu da Língua Portuguesa em parceria com a artista visual Carmen Garcia. Compondo a atividade, o escritor SoZé fará a leitura de seus textos e realizará a venda de sua primeira publicação, O Inimitável Sozé, fruto de seu relacionamento com a Pinacoteca, o Sesc e o Museu da Língua Portuguesa. A segunda tiragem do livro foi realizada pelo Festival Pop Rua 2025. 

As atividades na parte da tarde terão início às 14h15, com a mesa Como a palavra escrita se torna instrumento de luta e preservação da subjetividade na rua. Com mediação da escritora Luciene Müller, autora do livro Colo Invisível, o debate contará com a presença do rapper e autor Kric Cruz e do artista visual e autor Pedro Vó. Os três vão mostrar como a literatura e a arte, como um todo, são capazes de emancipar cidadãos. Neste sentido, o acesso a espaços culturais ou a livros é fundamental para que tenham ferramentas para o processo criativo. 

Das 16h às 17h, a escritora e ativista social Andrea Bico Doce, autora do livro A Esperança Ainda ExisteJaci de Oliveira Junior, autor de O Psicopata; e Alderon Costa, editor do jornal O Trecheiro, participam da mesa O Desejo de Publicar e as Redes de Edição. Neste encontro, vão falar como iniciativas de resistência, como o Selo da Rua e a Rede Rua, conseguem driblar um mercado editorial historicamente excludente e de difícil acesso. A mediação será da radialista e assistente social Vanessa Mary Labigalini, coordenadora do projeto Banho pra Geral e da editora Selo da Rua. 

Em seguida, o rapper Nego Bala apresentará a performance A Pedagogia da Arma-Livro, na qual o artista revive o momento em que retornou ao sistema prisional para realizar o seu primeiro show após conquistar a liberdade. Ao cruzar novamente as grades, agora como artista, ele se apresentou munido não de uma arma de fogo, mas de um exemplar de Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. A montagem é um recorte de sua colaboração com a Cia. Mungunzá de Teatro no espetáculo Cena Ouro – Epide(r)mia, produto da primeira edição do Festival Pop Rua. 

Ao fim da performance de Nego Bala, o público será convidado a entrar na Praça da Língua, espécie de planetário das palavras da exposição principal do Museu da Língua Portuguesa, para uma experiência imersiva na qual trechos de textos em língua portuguesa são projetados no teto. Um deles é Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, uma das principais escritoras brasileiras, que chegou a morar na favela do Canindé, em São Paulo.  

 

Confira abaixo a programação completa: 

9h – Café de acolhimento e credenciamento 

10h – Boas-vindas: Diretoria do Museu da Língua Portuguesa e Diretoria do Museu das Favelas 

10h10 – Mesa I – O livro e a biblioteca como ferramentas de transformação
Com Bel Santos 

10h30 – Mesa II – Bibliotecas: Centros de Produção e Impacto Cultural – A potência das bibliotecas como laboratórios de cidadania ativa
Com Meire Rose Stankevicius Bassi (Biblioteca Pública Affonso Taunay), Gabiá Santos (Museu das Favelas) e Fabio Moraes (Biblioteca Parque). Mediação de Bel Santos 

11h45 – Performance
Show de Esmeralda Ortiz 

9h às 12h – Oficina de escrita de cartas e leitura pública
Com DePara e SoZé 

13h30 às 14h15 – Café de acolhimento e credenciamento 

14h15 – Mesa III – A Palavra como Refúgio e Ferramenta de Resistência – Como a palavra escrita se torna instrumento de luta e preservação da subjetividade na rua
Com Pedro Vó e Kric Cuz. Mediação de Luciene Vignoli Müller 

16h- Mesa IV – O Desejo de Publicar e as Redes de Edição
Com Andrea Bico Doce, Jaci e Alderon Costa. Mediação de Vanessa Mary Labigalini 

17h – Performance
A Pedagogia da Arma-Livro, com Nego Bala 

17h30 – Audiovisual
Exibição da experiência imersiva na Praça da Língua 

18h – Encerramento 

Museu da Língua Portuguesa      
Praça da Luz, s/n – Luz – São Paulo         

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